Sua cama estava bagunçada. Entre o sobre-lençol amassado estavam as roupas da noite anterior - e até as de muito tempo atrás -. Estavam também as lembranças. Por incrível que pareça, ele saiu ontem vestindo a roupa que mais lhe agradasse e com o melhor perfume dentre os tantos de seu armário. Saiu para forrar a imagem de quem tinha o travesseiro como ombro amigo. Tomou três doses sem exitar e buscou esconder as doses de sofrimento que tanto estava acostumado a tomar. Fez de conta. Caminhou como quem caminha sem tropeçar. Fitou olhares como quem nunca os quis abaixar. Contou seis, nove, dezoito pessoas como amigas. Transformou a dor em valsa; a solidão em êxtase. Mal sabe ele que quando acordar no dia seguinte, mesmo com a sua cama repleta de lembranças e com suas roupas - que já nem seu cheiro tinham mais - jogadas entre elas, que o travesseiro voltará a ser seu ombro-amigo. E as doses que antes trouxeram a loucura, hoje o fazem infeliz. Mal sabe ele que seus tropeços ainda estão ali e que seus olhos permanecem cabisbaixos. Agora ele está no meio de quem ele jamais quis estar. Está lamentando o fato de uma noite não servir para a vida inteira. E mesmo ali, em toda aquela bagunça, ele sente-se acomodado. Vontade ele tem, mas viver faz falta. —Matheus Silva (via psicografando)
Toda vez que a gente escolhe alguma coisa, várias outras ficam pra trás. E aí bate a dúvida: será que essa cidade, esse emprego, essas roupas são as melhores pra mim? Será que essa história de amor é a minha? Se essas perguntas forem feitas com medo, quem responde é a cabeça. Mas se forem feitas com amor, quem responde é o coração. E o coração nunca se engana. —Do seriado “Aline” (via psicografando)
Não declares que as estrelas estão mortas só porque o céu está nublado. —Provérbio Árabe (via psicografando)